
A formação de um tornado assustou moradores de Campinas na tarde de domingo. O fenômeno foi definido pelo pesquisador Hilton Silveira Pinto, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), como o início de um tornado que não teve força suficiente para atingir o solo e causar estragos. Não houve registro por parte de aparelhos dos serviços de meteorologia e nem foi registrada a que velocidade chegaram os ventos. A avaliação do Cepagri foi feita a partir de filmagens e fotografias feitas por moradores.
O empresário Marcelo Servidone foi surpreendido pela formação do tornado quando estava em uma festa de aniversário na casa de seu irmão João Luiz, no Parque das Universidades, entre a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o campus 1 da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC- Campinas). “Estávamos no quintal por volta das 17h, quando eu vi o tornado sendo formado. Estávamos com máquinas fotográficas por causa da festa e registramos as imagens. Deu tempo de subir no segundo andar da casa, onde a visão era melhor, e fazer as fotos”, disse Servidone.
O fenômeno durou cerca de dois minutos e meio, conforme registro de horário da máquina fotográfica. Servidone diz que o local de formação parecia ser depois de Barão Geraldo, entre Paulínia e Sumaré. Outros moradores do distrito também relataram ter visto o tornado. “Ficamos assustados com o que estávamos vendo. No início, ele estava pequeno, mas foi ficando maior com muita rapidez. Nós não sabíamos que proporção ele iria tomar e nem a direção para onde iria, por isso ficamos apreensivos. Acabamos até assustando as crianças”, disse o empresário.
O grupo que estava na casa só ficou mais tranqüilo quando o tornado começou a diminuir de tamanho. “Ele também foi diminuindo e sumiu com muita rapidez, para nosso alívio”, afirmou. Segundo ele, as pessoas que estavam no local nunca tinham visto fenômeno parecido na cidade.
O técnico de vendas Ataíde Dornelas Júnior também se surpreendeu quando voltava do hospital Celso Pierro, da PUC-Campinas, pela Avenida John Boyd Dunlop. “Olhei para o meu lado esquerdo enquanto dirigia o carro e vi o tornado. Do momento em que vi até ele sumir durou cerca de 30 segundos. Eu fiquei assustado e liguei para a Defesa Civil para saber o que havia ocorrido e se houve estragos”, afirmou o vendedor.
Segundo o pesquisador Hilton, o tornado não teve força suficiente e não atingiu o solo como em casos recentes. “Por sorte não chegou ao solo, senão os estragos seriam grandes. Nossa região, principalmente nos últimos anos, está tendo um aumento de registros de fortes tempestades e tornados. Isso se tornará cada vez mais freqüente e tem relação direta com o aumento da temperatura média”, disse Hilton.
Ele afirma que fatores geográficos contribuem para a formação desses fenômenos meteorológicos de forte intensidade. Ele diz que há uma faixa que sai de São Paulo, passando por Campinas e Piracicaba chegando até Ribeirão Preto, onde há maior registro dessas tempestades e ventos fortes.
Os tornados são redemoinhos de vento de largura reduzida. Ele é formado pelo centro de baixa pressão durante as tempestades. A velocidade desses ventos pode atingir até 500 quilômetros por hora, causando grande destruição quando eles atingem o solo.