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Criança morre após médica se recusar a prestar socorro por ter acabado o plantão

Uma criança de um ano e seis meses morreu uma hora e meia depois da médica Aide Marques da Silva, 59 anos, se recusar a levá-la para um hospital na ambulância solicitada pela família, nesta quarta-feira, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste. A justificativa da profissional, que segundo testemunhas estava alterada e rasgou a solicitação de atendimento, era que tinha acabado o seu turno. Breno Rodrigues Duarte da Silva faleceu após vomitar e se engasgar, enquanto esperava por outro socorro.

"Ele estava com uma gastroenterite, passando mal do estômago. A médica que cuida dele indicou a internação. Durante a madrugada ele piorou, tinha dificuldade de respirar. O home care solicitou a ambulância às 8h20 e 9h10 já estava na porta do meu condomínio. O porteiro avisou que tinha chegado, mas não subia. Depois, ele ligou e disse que a doutora tinha ido embora. O porteiro disse que ela esbravejava ao telefone e estava nervosa. Aí ela rasgou os papéis que parecia ser a solicitação do atendimento e disse que tinha acabado o plantão e que não era pediatra", contou a mãe de Breno, Rhuana Lopes Rodrigues, de 28 anos.

Quando a segunda ambulância chegou, às 11h, o menino já estava morto. Breno nasceu com problemas neurológicos e desde que deixou o hospital, em julho de 2016, recebia atendimento em casa no sistema home care. Desde então Rhuana deixou a vida de empresária de lado e passou a se dedicar integralmente ao filho. "Ele tinha 1h30 para chegar ao hospital. Vou morrer com o "se". Se ela o tivesse levado, ele estaria vivo? Se tivesse vomitado no hospital, não teria equipamentos para salvar ele?

O casal pretende entrar na Justiça por conta da negligência no atendimento. A Unimed, contratada pela família, era a responsável pela solicitação da ambulância.

O caso foi registrado na 16ª DP (Barra da Tijuca).

"Eu abdiquei da minha vida, parei de trabalhar e virei mãe 100%. Me doei tanto e por um ato desumano perdi meu filho. Tanta dedicação e quando precisei de ajuda não contei com ela. Sabia das dificuldades do meu filho, mas nunca imaginei que perderia meu filho dessa fora, por negligência", desabafou Rhuana.

Segundo ela, Breno vinha apresentando evolução nos últimos meses desde que passou a fazer uso do extrato de canabidiol para tratar das convulsões.

"Ele estava desenvolvendo agora com o canabidiol, melhorou muito. Estávamos vendo a evolução agora, ele interagia, estava ficando mais durinho, começou ir para o balanço para fazer fisioterapia. Desde março tínhamos acertado a dose e isso controlou muito os ataques", contou Rhuana. O enterro de Breno ocorre na tarde desta quinta-feira no Cemitério do Caju, na Zona Norte.

Em nota, a Unimed-Rio disse lamentar profundamente a morte de Breno e que vem "prestando apoio irrestrito à família nesse momento tão difícil." A empresa disse que está tomando as providências para descredenciar imediatamente o prestador "Cuidar" por conta da "postura inadmissível no atendimento prestado à criança."

"Além disso, adotará todas as medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis em razão da recusa de atendimento por parte do prestador de serviço", concluiu a cooperativa em nota. A reportagem tentou falar por telefone com a Cuidar Emergências Médicas, mas não conseguiu contato.

Cremerj investiga conduta da médica

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) abriu uma sindicância para apurar a assistência médica prestada a Breno e a"Cuidar Emergências Médicas" já enviou todas as informações sobre a profissional e o atendimento que não foi concluído. O Cremerj lamentou a morte do bebê e afirma que investigará minuciosamente o caso.

O conselho reiterou ainda que, como um dos princípios fundamentais da profissão, "a saúde do ser humano deve ser o alvo de toda atenção do médico, que deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional. " O nome da médica não foi divulgado.

Empresa diz que médica tinha acabado de começar o plantão

À reportagem do DIA, o presidente da "Cuidar Emergências Médicas", Orlando Rubens Lisboa Corrêa, disse que Aide não estava no final do plantão e sim começando o turno.

"Ela começou às sete da manhã o plantão. Se não era o primeiro, era o segundo atendimento dela. Ela estava próximo do condomínio e chegou com rapidez", disse.

Orlando afirmou que o procedimento — uma gastroenterite — para o qual a médica foi acionado era fácil e que não consegue entender a postura da profissional, mas determinou o seu imediato afastamento e a impediu de assumir plantões. O representante da "Cuidar" disse que Breno já foi atendido pela seu serviço ao menos uma vez.

 

"Ela simplesmente abandonou o atendimento, a técnica em enfermagem que acompanhava a ambulância tentou convencê-la a subir, mas ela ficou em frente ao prédio, como se tivesse em surto. Não posso dizer que ela se negou porque ela pode dizer que passou mal, que aconteceu algo com ela. Ela tem que esclarecer", falou. A empresa, desde então, não conseguiu falar ou localizar a Aide.

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