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"Só se aprova loteamento em Campinas com pagamento de propina", diz empresário

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Testemunha no processo que investiga o pagamento de propina e fraudes em contratos públicos em Campinas, o empresário e empreendedor Ilário Bocalleto afirma que a primeira-dama e chefe de Gabinete de Campinas, Rosely Nassim Jorge Santos,  mentiu quando disse em entrevista que desconhecia o ex-diretor de Planejamento e Urbanismo Ricardo Candia. Ainda segundo o empresário, empreendimentos imobiliários em Campinas só são liberados mediante pagamento de propina, cobrada à titulo de comissão e dividida entre os envolvidos no esquema. Ao tentar resolver um impasse na questão de Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU), Bocaletto procurou diretamente a primeira-dama do município, que teria recomendado um encontro com Ricardo Candia. A recomendação foi registrada em um bilhete de próprio punho.

Bocalleto procurou o Ministério Público (MP) após a declaração da primeira-dama durante entrevista no dia 29 de abril à EPTV , onde Rosely Nassim Santos diz que conheceu o ex-diretor de Planejamento e Urbanismo apenas no período em que ele trabalhou na prefeitura. Ilário Bocaletto afirma que a informação é improcedente. "Eu me surpreendi, porque isso não é verdade", disse.

O empreendedor afirma que conversou com a primeira-dama no gabinete a menos de dois anos, quando tentava resolver o impasse de pagamento de IPTU nas terras na Cidade Universitária, no distrito de Barão Geraldo, que se arrasta por mais de três anos. "Cheguei até a primeira-dama porque eu fiquei sabendo que quem resolvia os problemas de IPTU e tudo o que acontece em Campinas, seria a primeira-dama, daí procurei ela. Ela pediu para que eu fosse falar com ele (Candia), me escreveu um bilhete para resolver o problema”, explica o empresário. Ricardo Candia foi uma das 11 pessoas presas por determinação da Justiça no último dia 20 em uma operação da Corregedoria da Polícia Civil. Ele conseguiu a liberdade sete dias depois da prisão, quando a Justiça concedeu um habeas corpus.

Até esta segunda-feira (30), Bocaletto não conseguiu resposta da Prefeitura sobre os questionamentos dos valores do IPTU, também não teve a aprovação para lotear a área. O empresário afirma que dependendo dos empreendimentos ocorre o valor de propina de 5% a 10% do valor do lote. "É quase impossível aprovar loteamentos em Campinas. Só se aprova loteamentos pagando propina, é quase impossível. Por isso que só se aprova loteamento hoje em Campinas para classe média e alto padrão, e não aprova o loteamento popular que é o que mais precisa, que é o que o povo mais precisa. Isso nós não temos incentivo porque não fecha a nossa conta de empreendedor ou loteador pagando um valor alto de propina para aprovar, a gente não consegue fazer loteamento para quem precisa", afirma.

“Venda de Facilidades”

O empresário disse que tentou procurar a prefeitura por meio de advogados, agendamento de reuniões, entre outros. "Cria-se uma dificuldade para gente procurar alguém de alto escalão para depois vender as facilidades, é assim que funciona em Campinas e não só aqui, quase todas as cidades da região metropolitana", disse o empreendedor.

De acordo com a advogada que acompanhou todo o processo Ana Cristina Wruagt, a partir da decisão de aprovar apenas o desconto para um dos pedidos que começaram as dificuldades para aprovar outros dois. “Já eram áreas regularizadas e eu percebi a dificuldade na aprovação de conseguir a diminuição do débito depois que saiu a decisão de uma das áreas que saiu favorável e as outras duas por serem idênticas não saíram favoráveis. Após esta decisão eu não conseguia mais conversar com a pessoa responsável na prefeitura para verificar o que tinha acontecido", afirma Ana Cristina.

Os encontros com Candia ocorreram quatro vezes em cafés, padaria e em shopping na cidade. Segundo Bocaletto, eram encontros rápidos de no máximo dez minutos. "Nos encontramos em um café e conversamos, chegamos falar de valores, mas o negócio não vai, não anda, porque acabou dizendo que tinha que pagar um valor adiantado e eu não concordei. Agora estou tentando agendar uma reunião com o Diretor de Finanças e não consigo, simplesmente ele foge”, explica o empresário.

Candia chegou a explicar para o empresário como funcionaria o esquema de pagamento de propina no caso, que deveria ser feito em dinheiro, o que ex-diretor de Planejamento chamou em negócios em “verde”. "Do valor do IPTU seria 15% do benefício de desconto, achei muito alto porque tem uma lei e está protocolado o pedido para o desconto. O valor seria uma comissão que eles cobram, que seria dividido entre eles. Ele citou o nome de doutora, mas eu não sei o que ele quis dizer, se é ela (Rosely) ou não", afirma.

Os valores para pagamento de propina sempre eram passados por bilhetes e nunca verbalmente. Apesar de não fazer mais parte da prefeitura, Candia garantiu para o empresário resolver o problema. "Não se fala muito, se fala mais escrevendo em um papel o valor, depois rasga esse papel e coloca no bolso. Única coisa que prova é o bilhete da primeira-dama para procurar o Ricardo”, diz Bocaletto. Depois de discordar com o pedido de dinheiro, ex-diretor de Planejamento não procurou mais o empresário.

O advogado de Ricardo Candia Ralph Tortima Filho, disse que não vai comentar as denúncias e que filho afirma que o cliente está a disposição do Ministério Público (MP) e se necessário pode passar por uma acareação com o empresário. Sobre o assunto, primeira-dama foi procurada, mas não retornou as ligações.

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