Produção da Replan somou 17,4 milhões de metros cúbicos entre janeiro e agosto de 2026; no ritmo atual e impulsionada pela alta na fabricação de diesel, refinaria de Paulínia deve superar a marca registrada em 2013.
A Refinaria de Paulína (Replan), maior unidade de refino da Petrobras, registrou novo avanço na produção de derivados de petróleo em 2026. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que a unidade produziu 17,4 milhões de metros cúbicos (m³) entre janeiro e agosto deste ano, volume 12,1% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
Em julho, a planta já havia registrado o melhor resultado para o mês desde o início da série histórica da ANP, em 2000.
Se o percentual de 12,1% for mantido até dezembro, a Replan deve superar o recorde registrado em 2013, quando a produção anual de derivados somou 24,9 milhões de m³.
Recentemente, a Petrobras informou que a Replan operou no 1º semestre de 2026 com um FUT (fator de utilização das refinarias) médio de 94,3%, contra um FUT médio de 88,4% no 1º semestre de 2025.
Diesel em alta
Boa parte do bom desempenho da Replan em 2026 está relacionada com a produção de diesel. O combustível é o derivado com maior volume de produção da unidade em Paulínia e é estratégico para a companhia.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, comprometeu-se com a autossuficiência na produção de diesel do Brasil até 2030.
Dados da ANP mostram que a Replan produziu 8,02 bilhões de litros do combustível entre janeiro e agosto de 2026, o que representa uma alta de 22,1% na comparação com o mesmo período de 2025.
Maior do Brasil
Maior refinaria da Petrobras, a Replan tem capacidade para processar 69.000 m³ de petróleo por dia (69 milhões de litros), o equivalente a 434 mil barris, e atende a 30% do território brasileiro.
Um projeto de ampliação da capacidade de processamento da refinaria, com conclusão prevista para 2027, vai possibilitar aumentar a produção dos atuais 434 mil barris por dia para 459 mil barris por dia, aumento de aproximadamente 5%, segundo a Petrobras.
Para efeito de comparação, a segunda refinaria em volume de processamento de petróleo é a Revap, em São José dos Campos (SP), com 40 milhões de litros por dia.
A produção de Paulínia é escoada para os seguintes locais:
- Interior de São Paulo - recebe a maior parte da produção, 55%
- Sul de Minas
- Triângulo Mineiro
- Mato Grosso
- Mato Grosso do Sul
- Rondônia
- Acre
- Goiás
- Brasília (DF)
- Tocantins
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/B/h/XTCr1zRZaL5NHz0e5qAg/dsc-0076.jpg)
Maior do Brasil em processamento de petróleo, Replan atende a 30% do mercado nacional — Foto: Fernando Evans/G1
Em maio de 2025, a Replan colocou em operação a nova Unidade de Hidrotratamento de Diesel (HDT-D), capaz de produzir 63 mil barris de diesel S-10 por dia, o que equivale a 10 milhões de litros/dia. Isso é suficiente para abastecer, por exemplo, 20 mil ônibus com tanque de 500 litros.
O diesel é o principal produto que sai da Replan para as distribuidoras, mas a refinaria também produz gasolina, querosene de aviação (QAV), gás liquefeito de petróleo (GLP - o gás de cozinha), óleos combustíveis, asfaltos, enxofre (parte vai para a indústria de cosméticos), propeno (usado na fabricação de plásticos) e outros derivados que são utilizados até na produção de pneus.
O que diz a Petrobras
Em nota, a companhia informou que a produção de derivados "é definida a partir de um planejamento integrado que contempla todas as refinarias da Petrobras, visando atender de forma otimizada às demandas do mercado".
"Desde o início do conflito no Oriente Médio, a resposta da Petrobras frente à instabilidade do cenário externo foi aumento da produção própria, o que, sendo a Refinaria de Paulínia a maior do sistema Petrobras, tem elevado a sua produção.
A Replan deve passar por um processo de adequação de suas instalações e processos visando elevação de sua capacidade de processamento, com previsão de conclusão em 2027. Essa ampliação vai possibilitar o incremento da produção dos atuais 434 mil barris/dia para 459 mil barris/dia, um aumento de 5%".