Levantamento da Receita Federal mostra 3.632 emissões nas 31 cidades da área de cobertura do G1 Campinas em 2025, o maior número da série iniciada em 2005. Região registra estrangeiros de 162 nacionalidades, lideradas por haitianos, colombianos, bolivianos e venezuelanos.
A região de Campinas registrou em 2025 o maior número de emissões de CPF para estrangeiros desde 2005. Nas 31 cidades da área de cobertura do G1 Campinas e Região, foram 3.632 inscrições no ano, recorde da série histórica e alta de 38,7% em relação a 2024, quando houve 2.618 registros. Notadamente em Paulínia, a comunidade de haitianos já se destaca como a de maior número de imigrantes recém estabelecidos no município nos últimos anos.
Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) junto a Receita Federal indicam o crescimento da emissão de documentos para estrangeiros na região. Ao todo, há registros de 162 nacionalidades diferentes.
Ao longo de toda a série histórica, os haitianos formam a maior comunidade estrangeira entre os municípios analisados, com 4.973 emissões de CPF. O documento serve para identificar a pessoa no Brasil e é obrigatóri, por exemplo, para abrir contas bancárias, trabalhar e ter acesso a serviços públicos, como a matrícula em escolas.
Liderada por haitianos, colombianos, bolivianos e venezuelanos, a relação conta também com imigrantes de lugares mais remotos, como Tonga, Palau, Butão e Comores.
Veja as 10 maiores, desde 2005:
- Haiti – 4.973 registros
- Colômbia – 3.944
- Bolívia – 3.309
- Venezuela – 3.160
- Cuba – 1.722
- Estados Unidos – 1.557
- Peru – 1.509
- Argentina – 1.506
- China – 1.452
- Japão – 1.108
Segundo o professor de Direito Internacional da Unicamp, Luis Renato Vedovato, a presença haitiana tem relação com a atuação brasileira na missão da ONU após o terremoto que atingiu o país e com medidas adotadas posteriormente pelo governo brasileiro para facilitar o acolhimento humanitário.
"Essa migração que a gente pode entender como histórica, recente, é uma ponte importante para outros migrantes do mesmo país virem para cá", afirmou.
Curiosidades
- Campinas concentra o maior número de emissões para uma comunidade específica: 2.789 colombianos.
- Em Paulínia e Sumaré os haitianos formam o principal grupo;
- Americana e Indaiatuba registram forte presença boliviana;
- Artur Nogueira, Valinhos e Vinhedo têm predominância de venezuelanos;
- Em Morungaba os afegãos formam a principal comunidade estrangeira do município, com 697 registros;
- Em Holambra, os holandeses continuam sendo a principal comunidade estrangeira.
Representantes únicos
Considerando os dados das 31 cidades da área de cobertura do G1 Campinas, 25 nacionalidades tiveram apenas uma emissão de CPF desde 2005. Dessas, 18 foram de moradores da metrópole.
Veja a lista:
- Antilhas Holandesas — Holambra
- Barbados — Campinas
- Belize — Indaiatuba
- Brunei — Campinas
- Burkina Faso — Campinas
- Butão — Campinas
- Catar — Indaiatuba
- Chipre — Campinas
- Comores — Campinas
- Costa do Marfim — Amparo
- Kuwait — Campinas
- Gabão — Campinas
- Gâmbia — Amparo
- Islândia — Campinas
- Maláui — Campinas
- Mianmar (Birmânia) — Campinas
- Mônaco — Campinas
- Montenegro — Campinas
- Palau — Vinhedo
- Polinésia Francesa — Campinas
- Quirguistão — Monte Mor
- República Centro-Africana — Campinas
- São Cristóvão e Neves — Campinas
- Tonga — Campinas
- Uzbequistão — Campinas
CPF representa regularização
Para o professor de Direito Internacional da Unicamp, Luis Renato Vedovato, o crescimento é resultado de diferentes fatores, entre eles a legislação brasileira que facilita a regularização migratória.
"Existe um motivo importante, positivo, que é o fato de que esses migrantes podem regularizar a situação migratória aqui no Brasil, porque a gente tem um arcabouço legal que permite isso", diz.
Apesar do crescimento, Vedovato pondera que o Brasil continua tendo uma população migrante proporcionalmente baixa quando comparada à de outros países.
"O Brasil ainda tem muito pouco. A gente tem algo em torno de 1%, às vezes 1,5% da população formada por migrantes."
Para ele, o principal desafio é a coordenação das políticas públicas entre municípios, estados e União.
"Os migrantes podem ficar concentrados e pressionar políticas públicas municipais ou estaduais. A gente teria que pensar em estruturas de governança entre os entes federativos."