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Quinta-feira, 25 de Junho de 2026

Notícias/Região

Infrações por embriaguez ao volante crescem 84,5% na região de Campinas

Número de recusas para fazer o teste do bafômetro também tem aumentado

Infrações por embriaguez ao volante crescem 84,5% na região de Campinas
As duas principais imprudências no trânsito, responsáveis por acidentes, são o excesso de velocidade nas vias e o consumo de bebida alcoólica associada à direção; a substância acaba por estimular ainda mais atos falhos na condução do veículo (Alessandro T
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As infrações por embriaguez ao volante, registradas durante as operações do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SP), aumentaram 84,56% no comparativo de janeiro e maio deste ano com o mesmo período do ano passado. A análise levou em consideração 25 cidades da Região Administrativa de Campinas, área em que foram contabilizadas 622 infrações por alcoolemia nos cinco primeiros meses de 2026, contra 337 em 2025.

Os casos de embriaguez ao volante contabilizados neste ano correspondem a mais da metade dos registrados em todo 2025 (1014). Para avaliar o motorista, os agentes de trânsito utilizam um aparelho que mede a concentração de álcool no organismo a partir do sopro, em que o condutor deve apresentar resultado igual ou superior a 0,34 mg/L para ser autuado.

Segundo os dados do DetranSP, o número de recusas para fazer o teste do bafômetro também tem aumentado, com o registro de 589 negativas para a avaliação entre janeiro e maio deste ano, contra 324 recusas em 2025. A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) informou que, nos cinco primeiros meses do ano, foram realizados 12,8 mil testes com bafômetro em Campinas, que renderam 411 autuações. Destas, 400 foram por recusa ao teste e 11 por direção sob influência de álcool. Em ambos os casos, a infração é considerada gravíssima, de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

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Conduta de risco

Entre as operações de trânsito realizadas pela Emdec, entre janeiro e maio deste ano, a recusa ao teste de alcoolemia foi considerada a segunda conduta de risco mais recorrente, com registro de 397 infrações, equivalente a 10,46% do total. O índice fica atrás apenas dos casos de licenciamento irregular, que correspondem a 12,12% do total de autuações. Dirigir sob o efeito de álcool acarreta multa de R$ 2.934,70, recolhimento e suspensão da habilitação por 12 meses. Em casos de teor alcoólico igual ou superior a 0,34 mg/L, o condutor também responde criminalmente, com detenção de seis meses a três anos, multa e suspensão para obter a habilitação.

Nos casos de motoristas reincidentes no período de 12 meses, a multa alcança o valor de R$ 5.869,40. Na autuação por direção sob efeito de álcool, quando há nova ocorrência durante o período de suspensão da CNH, além da multa em dobro, o motorista também responde por um processo administrativo que poderá culminar na cassação do direito de dirigir. A Emdec iniciou a “Operação pela Vida” em novembro de 2025, como estratégia para reduzir as mortes e lesões graves causadas pelo álcool no trânsito. Em 2025, os acidentes por embriaguez ao volante causaram 45 vítimas fatais na cidade. Neste ano, uma morte por embriaguez no trânsito foi contabilizada no município.

Aumento das infrações

Em nota, o Detran-SP justificou o aumento das infrações por alcoolemia devido à ampliação das fiscalizações realizadas nos últimos anos. Entre janeiro e maio de 2026, o número de operações cresceu 168% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto a quantidade de veículos fiscalizados aumentou 214%, passando de 12.209 para 38.323 abordagens. A ação amplia a capacidade do Estado de retirar das vias condutores que dirigem após o consumo de álcool. “O planejamento das ações prevê uma atuação coordenada entre a Polícia Militar, além de outras forças parceiras, ampliando a cobertura territorial e a presença em diferentes municípios. “As ações são orientadas por dados do Infosiga para ampliar a efetividade”, explicou o departamento.

Tempo de festa

Para o pesquisador e docente do curso de Engenharia de Transportes da Unicamp, Luiz Vicente Figueira de Mello, atualmente, as festas juninas e a Copa do Mundo de 2026 são eventos importantes que incentivam o consumo de bebida alcoólica. Em paralelo, acrescenta, há o aumento nas operações de Lei Seca, que normalmente são realizadas no período noturno e, principalmente, aos finais de semana. “O que mais chama atenção é o número de recusa para fazer o teste do bafômetro”, afirmou Luiz ao apontar que a ação é respaldada pelo direito à ampla defesa.

Porém, analisa-se que a recusa ao teste faz com que não se tenha a “prova cabal” do teor alcoólico, que poderia agravar a penalidade atribuída ao motorista em caso de autuação. “Muitos advogados acabam estimulando as pessoas a não soprarem o aparelho para não produzirem provas contra elas mesmas”, ressaltou Luiz, ao pontuar que essa é uma forma de defesa permitida pela legislação brasileira, mas que afeta a eficácia da Lei Seca. Depois de ingerido, acrescenta, o álcool permanece por horas no organismo, a depender do metabolismo de cada pessoa, além de afetar diretamente o domínio pleno do motorista na condução do veículo.

“A embriaguez ao volante causa uma imprudência generalizada, diante dos possíveis transtornos que culminam em acidentes. As operações acabam transparecendo ainda mais o número de pessoas pegas na Lei Seca”, revelou Luiz. Segundo o especialista, as duas principais imprudências no trânsito, responsáveis por acidentes, são o excesso de velocidade nas vias e o consumo de bebida alcoólica associada à direção, em que a substância acaba por estimular ainda mais atos falhos na condução do veículo. 

Segundo o frentista de um autoposto de combustíveis localizado no bairro Cambuí, C. P. S., é comum os motoristas comprarem bebida alcoólica na loja de conveniência do posto, consumirem a bebida no local e irem embora dirigindo, principalmente aos finais de semana. “Não tem hora para isso acontecer, principalmente com os jovens, tanto homens quanto mulheres. A gente tem panfletos de orientação para não fazerem isso, mas não adianta. A nossa parte a gente faz. É muita irresponsabilidade dessas pessoas, mas a conta chega para todos”, opinou o frentista.

O veterinário de 19 anos, Rafael Terrabur, afirmou que, por causa da orientação de seus pais, a sua prioridade é valorizar a vida. “Tenho muito cuidado ao dirigir. Prezo muito pela segurança e algumas coisas a gente não pode esquecer. Sempre escuto dos amigos que é melhor fazer diferente e beber, mas quem prioriza a família e a saúde tem uma mente blindada que não pode ser mudada. Quem bebe está disposto a correr perigos que são piores do que pagar uma multa, algo que eu não estou disposto a correr”, concluiu.  

 

 

FONTE/CRÉDITOS: Mariana Camba/Correio Popular

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