Hub logístico no interior de São Paulo amplia infraestrutura multimodal para combustíveis
Expansão da capacidade de armazenagem aumenta a flexibilidade operacional do terminal e fortalece a integração entre ferrovias, dutos e rodovias para atender distribuidoras e tradings
A Opla, joint venture formada entre a bp e a Ultracargo, concluiu a expansão de seu terminal em Paulínia, elevando a capacidade estática da unidade para cerca de 202 mil metros cúbicos. O principal investimento foi a construção de um novo tanque com capacidade para 20 mil metros cúbicos, inicialmente destinado ao armazenamento de etanol anidro. Com a mudança, outras estruturas passam a ser utilizadas para a movimentação de gasolina, combustível que até então não fazia parte das operações do terminal. A capacidade destinada à gasolina será comercializada pela Ultracargo, ampliando a flexibilidade operacional da unidade para adaptar a armazenagem de produtos às oscilações das safras e às demandas do mercado.
O novo ativo também incorpora soluções de engenharia inéditas na unidade. Trata-se do primeiro tanque do terminal equipado com teto geodésico em liga de alumínio, tecnologia que amplia o volume útil de armazenagem e reduz a emissão de vapores. Segundo o diretor de Operações da Ultracargo, Douglas Marques, a estrutura também recebeu um sistema de segurança de última geração. “A estrutura também conta com um sistema de segurança de ponta, com sprinklers em toda a extensão do teto, e foi projetada para oferecer maior eficiência operacional e controle de estoque, garantindo integridade e conformidade rigorosa aos produtos armazenados”, explicou.
Além do aumento da capacidade, a expansão fortalece a posição de Paulínia como um dos principais polos logísticos do setor de combustíveis no país. Integrado às malhas rodoviária, ferroviária e dutoviária, o terminal pode movimentar até 160 vagões por dia por meio do desvio ferroviário inaugurado em 2025. A estrutura permite o recebimento de grandes volumes de etanol provenientes de Rondonópolis (MT) e sua distribuição por rodovias para diferentes mercados consumidores, garantindo maior previsibilidade operacional mesmo durante os períodos de maior demanda.
Para Raphael Nascimento, diretor executivo Comercial e de Planejamento da Ultracargo, o investimento amplia o papel da companhia como integradora logística. “Oferecemos aos clientes um hub multipropósito estratégico que conecta as principais regiões produtoras aos grandes centros de consumo, garantindo resiliência para a matriz de combustíveis do Brasil”, disse. O executivo acrescenta que a unidade ainda possui espaço para futuras expansões de capacidade.
A bp avalia que a evolução da Opla faz parte de sua estratégia para fortalecer a infraestrutura logística da cadeia de combustíveis no país. De acordo com André Moura, gerente sênior de Originação da bp e conselheiro da joint venture, a operação reúne diferentes segmentos da companhia em uma mesma plataforma logística. “A Opla é um hub logístico estratégico e, em Paulínia, apoia a armazenagem e movimentação de diferentes produtos associados às operações da bp no Brasil, incluindo etanol da bp bioenergy, combustível de aviação relacionado à Air bp e diesel S-10 relacionado à bpCE. Essa integração amplia a flexibilidade operacional da unidade e reforça a importância da multimodalidade para atender às demandas do mercado com eficiência e segurança”, afirmou.
A expansão também reforça a estratégia de interiorização da logística nacional. A expectativa é que, no longo prazo, o terminal contribua para reduzir a pressão sobre o Porto de Santos à medida que parte dos fluxos de transporte migre para modais de maior capacidade. Embora o abastecimento proveniente do litoral ainda dependa do transporte rodoviário, a localização de Paulínia permite futuras integrações ferroviárias com a Baixada Santista, o que poderá aumentar a eficiência logística, reduzir custos operacionais e diminuir as emissões de carbono.
Outro fator considerado estratégico é a conexão entre os desvios ferroviários de Paulínia e Rondonópolis, que formam um corredor multimodal entre o Centro-Oeste e o Sudeste. A estrutura facilita o transporte de etanol de milho produzido no Mato Grosso para o interior paulista e viabiliza o retorno dos trens carregados com derivados de petróleo destinados ao agronegócio, reduzindo viagens vazias e aumentando a eficiência do sistema logístico.