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Domingo, 05 de Julho de 2026

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Laboratório contra lavagem de dinheiro já identificou 69 mil contas bancárias de ‘laranjas’

6,9 mil dessas contas são de moradores de Campinas e cidades da região

Laboratório contra lavagem de dinheiro já identificou 69 mil contas bancárias de ‘laranjas’
O LAB-LD em São Paulo é uma unidade especializada do Departamento de Inteligência (Dipol) (Foto: Policia Civil)
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Análises realizadas pelo Laboratório de Tecnologia Contra a Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) da Polícia Civil do Estado de São Paulo identificaram 69 mil contas bancárias pertencentes, em sua maioria, a ‘laranjas’, pessoas sem antecedentes criminais aliciadas pela facção Primeiro Comando da Capital (PCC) para ocultação do dinheiro obtido com o tráfico de drogas e roubo de cargas. A reportagem do Correio Popular apurou que pelo menos 10%, ou seja, 6,9 mil dessas contas são de moradores de Campinas e cidades da região. As movimentações financeiras suspeitas da facção somaram mais de R$ 9,6 bilhões ao longo de 2025. 

“Temos investigações em andamento com pedido de auxílio junto ao LAB-LD”, disse o delegado Oswaldo Diez Júnior, diretor do Departamento de Polícia Judiciária do Interior 2 (Deinter 2), responsável pela administração da Polícia Civil em 38 municípios. Os trabalhos realizados pelo laboratório identificaram também empresas de fachada, comércios e outros serviços usados para ocultação do patrimônio financeiro obtido com as duas principais atividades criminosas do PCC. 

A identificação das contas ‘laranjas’ resultou na emissão de 130 relatórios. Essas informações técnicas são usadas para o indiciamento em inquérito policial das pessoas que colaboram com o crime organizado e consequentemente para a elaboração de operações que contam com a participação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP). Essas investigações constatam que o patrimônio e os valores movimentados eram incompatíveis com a capacidade econômica declarada pelos correntistas titulares das contas.. 

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Foi por intermédio do auxilio das análises feitas pelo LAB-LD que foram identificadas, no ano passado, pessoas que emprestaram a conta para a facção criminosa e um sofisticado esquema de lavagem com bases em Campinas, Artur Nogueira e Mogi Guaçu. Os relatórios possibilitaram a realização de uma operação em 12 endereços que resultou na prisão de cinco homens, entre eles, o empresário do agro e de eventos Eduardo Magrini, conhecido como “Diabo Loiro”.

capturado, que também pertencia ao alto escalão do PCC, era procurado pela Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal) por tráfico internacional de drogas. Foram apreendidos nas diligências mais de R$ 300 mil em espécie, valores em euro e em dólar, cinco armamentos e maquinários para embalar drogas e determinado o bloqueio e sequestro de 12 imóveis de alto padrão e o congelamento de valores em instituições bancárias. Durante a operação um integrante do PCC entrou em confronto com uma equipe do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) e morreu baleado. Um sargento do BAEP também foi atingido. Ele foi hospitalizado e está fora de perigo. 

Também com o apoio logístico do LAB-LD, no mês passado, policiais do Deinter-2 e do Núcleo-Campinas do Gaeco realizaram a Operação Caronte, que cumpriu 11 mandados de busca e apreensão em Campinas, Atibaia, Monte Mor, Sumaré, Limeira, Mogi das Cruzes, Osasco e Taquaritinga. A investigação identificou que empresas do ramo de transportes e outra de rodeio eram usadas para movimentação de recursos provenientes do tráfico de drogas e de outras práticas criminosas, por meio de sócios “laranjas”, para conferir aparência de legalidade aos valores obtidos de forma ilícita. 

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 10 milhões em contas bancárias dos investigados, além da apreensão de veículos e outros bens registrados em nome dos suspeitos. Até o momento, foram apreendidos caminhões, automóveis, valores em espécie e animais, entre eles bois e cavalos. 

No âmbito estadual, um desses relatórios serviu de base para as apurações que levaram ao bloqueio de mais de R$ 327 milhões, da apreensão de 17 veículos de luxo e de quatro imóveis vinculados aos investigados na Operação Vérnix, realizada no ano passado. Os envolvidos, influenciadores e integrantes do PCC, mantinham um esquema de lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada e uso de contas “laranjas”. 

O LAB-LD em São Paulo é uma unidade especializada do Departamento de Inteligência (Dipol) e ocupa o 18º andar do Palácio da Polícia Civil localizado no bairro da Luz, no Centro. Os policiais que trabalham no local são formados em ciências contábeis, administração e economia que trabalham com tecnologias especializadas que ampliam a capacidade de análise financeira. 

O laboratório realiza análises especializadas nos casos considerados mais relevantes com o objetivo identificar padrões suspeitos e conexões entre indivíduos e possíveis organizações criminosas, permitindo mapear a estrutura das redes criminosas, rastrear ativos oriundos dos crimes praticados, identificar líderes, intermediários, colaboradores e os beneficiários finais desses ativos, favorecendo a desarticulação dessas redes e a recuperação dos ativos em favor das vítimas. 

As regras rigorosas para a solicitação e utilização de informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), tem o objetivo de ampliar a rastreabilidade das investigações e mensurar de forma mais precisa os resultados alcançados a partir do trabalho de inteligência financeira desenvolvido pelo laboratório. 

Os relatórios realizados por meio das análises do LAB-LD reúne informações detalhadas sobre as transações financeiras apontando as movimentações promovidas pela facção. “Cada vez mais descobrimos novas formas de lavagem de dinheiro, e a maneira mais eficaz de combater esse tipo de crime é por meio da asfixia financeira dessas organizações”, explica o delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian. 

O secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, disse que os trabalhos realizados pelo laboratório tem sido essenciais para o avanço das investigações. “É um setor que presta apoio às delegacias e departamentos especializados da Polícia Civil, mas com a função de rastrear o dinheiro. Hoje vemos criminosos criando alternativas para esconder a origem ilícita dos bens adquiridos, mas é por meio do trabalho dessa equipe especializada que conseguimos identificar as irregularidades e deflagrar ações de combate”, afirma. 

As estratégias do crime organizado para movimentação do dinheiro arrecadado em ações criminosas motivaram a criação desses laboratórios em todo o País, pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). A necessidade de implantar um modelo para a aplicação de soluções de análise tecnológica em grandes volumes de informações surgiu da observação de que as investigações de casos de lavagem de dinheiro, corrupção e outros crimes envolviam o afastamento do sigilo financeiro de inúmeras contas bancárias, além de outros sigilos a exemplo do telemático e do fiscal, abrangendo grandes períodos. 

FONTE/CRÉDITOS: Bargas Filho/Correio Popular

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