O destaque é o Aterro Sanitário de Paulínia, considerado o maior do Brasil, que recebe cerca de 4,5 mil toneladas de lixo doméstico por dia, vindas de 28 cidades paulistas.
Desde o início do ano, o local abriga também uma usina de biometano, que produz cerca de 110 mil metros cúbicos de gás por dia. Quando estiver em plena operação, o espaço terá a capacidade de dobrar esse número para 220 mil.
O biometano é um combustível 100% renovável obtido a partir da purificação do biogás, derivado da decomposição de resíduos orgânicos, como o lixo urbano. O gás pode ser utilizado para o abastecimento de frotas, geração de energia elétrica e consumo tanto residencial como industrial.
Entretanto, o avanço na produção de combustível renovável, concentrada no Aterro Sanitário de Paulínia tem gerado uma polêmica constante: moradores vizinhos à usina instalada no local denunciam a persistência de mau cheiro e a possível presença de gases não regulamentados pela legislação ambiental.
Vizinhos da usina afirmam conviver há anos com o mau cheiro. Um dos moradores chega até a afirmar ter identificado gases não descritos na legislação saindo da produção da usina de Paulínia.
Em nota, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) disse que acompanha operação da fábrica e fiscaliza o cumprimento das normas ambientais previstas no licenciamento, incluindo aquelas relacionadas ao controle de odores.
Informa que, nas últimas vistorias, não foram identificadas divergências nos sistemas de controle ambiental.
Por que a região se destaca na produção?
A produção de biometano no Estado saltou de 1 milhão para mais de 42 milhões de metros cúbicos entre 2002 e 2025, ficando atrás apenas do Rio de Janeiro. Segundo projeções do governo, o Estado de São Paulo pode chegar a produzir 685 mil metros cúbicos do gás diariamente ao longo dos próximos meses.
No caso da região de Campinas, a diretora de operações da empresa que administra a usina em Paulínia, Catarina Amaral, explica que a produção é alta por conta do volume de destinação ao aterro da cidade. Vários municípios deixam os resíduos urbanos em Paulínia.
"Então, isso tudo demonstra uma oferta muito grande. Também temos muitos frotistas pesados, que é um dos segmentos que a gente atua bastante com o biometano na região", explicou Catarina.
Carlos Alexandre Silva, especialista em sustentabilidade e presidente da Federação Nacional de Conselhos do Meio Ambiente, afirma que a produção do metano renovável a partir do lixo é positiva para os recursos naturais e a economia.
"Vamos começar a trabalhar toda essa questão dos resíduos como uma questão além da sustentabilidade, mas financeira. Vai gerar emprego, vai gerar oportunidades, vai gerar monetização e rentabilidade para todos os atores que estão envolvidos nesse processo", explicou Carlos.
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O engenheiro mecânico Fernando Britto, vizinho da usina, montou uma estação equipada com sensores posicionados em frente às casas da região.
Segundo ele, os dados coletados indicam a chegada dos gases responsáveis pelo mau cheiro nas residências desde a instalação da planta de biometano. Inclusive, a chegada de gases não descritos na legislação.
"São gases que não estão claramente descritos na legislação, então não são tratados. E nós detectamos valores muito além dos reconhecidos internacionalmente como seguros. Nós temos vizinhos de asas a 500, 600 metros de distância que também sentem o odor", contou.
O que diz os responsáveis
A direção da empresa que opera o aterro e sócia da usina de biometano se manifestou sobre o problema e comentou que existem diversos equipamentos de engenharia que eles conseguem monitorar e analisar se estão criando algum pacto com a comunidade local.
"O que a gente tem a certeza é que uma hora ou outra pode haver uma indisposição maior por alguma falha operacional, e que a gente atua com os planos de contingência. A gente entende e tem dados para que isso não impacta a vida da comunidade, porque são traços de gás, não são gases concentrados", informou em entrevista à EPTV, emissora afiliada da TV Globo.
(Com informações de Victor Hugo Bittencourt/G1 Campinas e Região)