Agentes cumpriram 28 mandados em cidades como Americana, Nova Odessa, Sumaré e Hortolândia; três veículos foram apreendidos e sete pessoas levadas para depoimento; grupo é investigado por fraudes bancárias e lavagem de dinheiro
A Polícia Civil de Piracicaba deflagrou, na manhã desta sexta-feira (26), a Operação Duplicata Fantasma para desarticular uma organização criminosa investigada por fraudes bancárias, lavagem de dinheiro e emissão de documentos fiscais falsos. A ação resultou na apreensão de três veículos de alto valor e conduziu sete pessoas para prestar depoimento.
Segundo as investigações, o grupo teria movimentado mais de R$ 225 milhões. Foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão em oito municípios dos estados de São Paulo e Minas Gerais. As diligências ocorreram em Sumaré, Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Nova Odessa, Hortolândia, Limeira, Santa Rita de Caldas (MG) e Andradas (MG).
Durante a operação, os policiais recolheram documentos, contratos, anotações contábeis, celulares e computadores, que passarão por perícia. De acordo com a Polícia Civil, o esquema utilizava uma empresa de fachada no ramo de alimentos e bebidas para emitir notas fiscais e duplicatas sem qualquer operação comercial real. Os documentos eram registrados em nome de empresas fictícias, controladas por “laranjas”, e posteriormente negociados com fundos de investimento e securitizadoras, causando prejuízos milionários.
As investigações apontam que os recursos obtidos com as fraudes eram distribuídos entre diversas contas bancárias para dificultar o rastreamento financeiro. Na sequência, o dinheiro era reinserido na economia por meio da compra de imóveis com valores superfaturados, aplicações em previdência privada e aquisição de veículos de luxo pagos à vista.
O inquérito teve início após denúncias apresentadas por empresas do setor de crédito e foi reforçado por relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e análises financeiras. Segundo a Polícia Civil, a operação busca interromper as atividades da organização criminosa, descapitalizar o grupo e garantir o eventual ressarcimento das vítimas.