Plano prevê alongamento de vencimentos, possível conversão de dívida em ações e apoio dos principais acionistas; companhia terá até 90 dias para buscar adesão necessária à homologação
A Braskem protocolou na segunda-feira (24/08) um pedido de recuperação extrajudicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital de São Paulo. A iniciativa busca criar um ambiente jurídico protegido para a negociação de aproximadamente US$ 10,9 bilhões (equivalente a cerca de R$ 56 bilhões) em obrigações financeiras quirografárias da companhia.
O pedido chega com o apoio de credores que representam 39,6% dos créditos sujeitos à recuperação, percentual considerado suficiente para o ajuizamento do processo. Agora, a Braskem terá até 90 dias para negociar uma versão atualizada do plano e alcançar o quórum necessário para sua homologação judicial.
A proposta de reestruturação prevê o alongamento dos vencimentos das dívidas e a renegociação das condições financeiras, incluindo a possibilidade de capitalização de juros durante um período de alívio financeiro. O cronograma definitivo de pagamentos ainda será definido nas negociações com os credores.
Outro ponto relevante é a possibilidade de conversão de parte dos créditos financeiros em participação acionária da Braskem ao fim do período de alívio ou em outra data que venha a ser acordada. Na prática, a chamada equitização da dívida pode alterar a estrutura de capital da companhia e, dependendo dos termos finais, afetar a participação relativa dos atuais acionistas.
Os principais acionistas da Braskem, o Shine I Fundo de Investimento em Participações de Responsabilidade Limitada e a Petrobras, apoiam a iniciativa e participarão das negociações. O plano também prevê a possibilidade de suporte de liquidez durante o período de alívio financeiro e de futuros aportes ou garantias caso determinadas metas financeiras não sejam atingidas.
Durante o período de negociação, a Braskem ficará sujeita a determinadas restrições sem autorização dos credores signatários. Entre elas estão a distribuição de dividendos ou juros sobre capital próprio (JCP), recompra de ações, aquisições relevantes, reorganizações societárias relevantes, venda de ativos importantes e contratação de novas dívidas fora dos limites previstos no plano.
A companhia também destacou que a recuperação extrajudicial tem escopo exclusivamente financeiro. Dessa forma, segundo a Braskem, os compromissos com fornecedores, clientes e demais parceiros comerciais continuam sendo cumpridos normalmente.
De acordo com o Anexo A do plano, os credores que já aderiram representam cerca de 39,6% dos créditos votantes, equivalentes a aproximadamente R$ 22,4 bilhões. Entre os apoiadores estão grupos de detentores de títulos de dívida e instituições financeiras como Barclays, Santander e Citibank.
Na segunda-feira (24/08), antes da divulgação do pedido, as ações Braskem PNA encerraram o pregão a R$ 4,73, sem variação. O papel acumula uma faixa de negociação de R$ 4,70 a R$ 13,78 nas últimas 52 semanas, evidenciando a forte deterioração da percepção de risco em torno da companhia ao longo do período.
Como o pedido de recuperação extrajudicial foi tornado público após o fechamento anterior, a reação efetiva do mercado ao anúncio deverá ser observada na abertura da terça-feira (25/08). O foco dos investidores tende a estar nos termos definitivos da reestruturação, no grau de adesão dos credores e, principalmente, no eventual impacto de uma conversão de dívida em participação acionária sobre os atuais acionistas.
A Braskem é uma das principais empresas petroquímicas da América Latina, com atuação na produção de resinas termoplásticas e outros produtos químicos utilizados por diferentes segmentos industriais. A companhia tem exposição aos ciclos de preços de matérias-primas, demanda industrial, câmbio e condições de financiamento, fatores que influenciam diretamente seus resultados trimestrais, receita líquida, geração de caixa e estrutura de dívida.
Para quem acompanha as ações Braskem, o processo de recuperação extrajudicial passa a ser um dos principais temas corporativos do papel. O andamento das negociações poderá influenciar a percepção de risco, a estrutura de capital e as perspectivas para os ativos BRKM5.
O pedido de recuperação extrajudicial coloca a estrutura financeira da Braskem no centro das atenções do mercado.
Braskem completou 18 anos em Paulínia
No último dia 23 de abril, a unidade da Braskem, petroquímica global que desenvolve soluções sustentáveis da química e do plástico para melhorar a vida das pessoas, em Paulínia, completou 18 anos de operação, reafirmando sua relevância estratégica para o setor e para a economia regional.
Primeira planta greenfield da companhia no Brasil, a fábrica é referência em produtividade, inovação e sustentabilidade, com capacidade nominal de produção de 380 mil toneladas anuais de polipropileno — resina termoplástica essencial para diversos segmentos da indústria, como embalagens, automóveis e eletrodomésticos.
Desde sua inauguração, em 2008, a unidade tem contribuído para fortalecer a cadeia petroquímica brasileira, conectando o país a mais de 70 mercados internacionais. A planta também tem um papel relevante na economia local, com uma equipe de 80 integrantes e cerca de 200 parceiros, gerando emprego, renda e arrecadação para o município.
Em 2024, a unidade se destacou pelos avanços em eficiência operacional e pela continuidade do compromisso com as melhores práticas ESG, alinhadas à estratégia global da Braskem de desenvolvimento sustentável e inovação responsável.
“Paulínia representa um marco importante na história da Braskem. Essa unidade simboliza nossa capacidade de inovar e crescer com responsabilidade, aliando alto desempenho industrial à sustentabilidade e ao desenvolvimento da região. Celebrar 17 anos dessa operação é reconhecer o empenho de todos os profissionais envolvidos nessa trajetória e reafirmar nosso compromisso com o futuro da indústria brasileira”, destacou na ocasião Alexandra Calixto Gioso, Gerente de Relações Institucionais da Braskem Sudeste.