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Sexta-feira, 29 de Maio de 2026

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Paulínia lidera importações e fica em segundo em exportações na RMC

Município tem peso estratégico na economia regional

Paulínia lidera importações e fica em segundo em exportações na RMC
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Município movimenta mais de US$ 500 milhões em importações e aparece entre os principais polos econômicos do interior paulista

 

Paulínia tem peso estratégico na economia regional. De acordo com o levantamento mais recente do Ciesp-Campinas, referente a abril de 2026, o município lidera com folga o ranking de importações entre as cidades da região, com um volume expressivo de US$ 501,4 milhões, o que representa 41,26% de toda a importação regional.

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O número coloca Paulínia muito à frente de cidades como Campinas, que aparece na segunda posição com US$ 313,8 milhões. Jaguariúna e Hortolândia completam a lista, mas com uma distância significativa em relação ao líder.

Esse desempenho robusto está diretamente ligado ao perfil industrial da cidade, que abriga um dos maiores polos petroquímicos do país, além de empresas multinacionais e uma infraestrutura logística privilegiada.

No campo das exportações, Paulínia também se destaca. O município registrou US$ 56,3 milhões exportados, ocupando a segunda colocação no ranking regional, atrás apenas de Campinas. O resultado representa 17,06% de participação nas exportações, consolidando a cidade como um dos principais motores econômicos da região.

No contexto geral, a região do Ciesp-Campinas somou US$ 330 milhões em exportações e mais de US$ 1,2 bilhão em importações no período.

Avanço de exportações

A Região Metropolitana de Campinas (RMC) apresentou desempenho positivo nas exportações em abril, com avanço de 10,5% em relação ao mesmo mês em 2024, sinalizando recuperação no comércio exterior regional. Entre os principais motivos estão o aumento de exportações que estavam represadas, principalmente pelo cenário instável da política internacional, e a melhora no desempenho das vendas da Embraer no mercado estadunidense, que influência as indústrias da RMC. Apesar do crescimento, a região continua registrando déficit na balança comercial devido à forte dependência industrial de insumos importados.

Segundo análise apresentada ontem pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) Regional Campinas, as exportações das 19 cidades que compõem a regional atingiram US$ 330 milhões em abril, enquanto as importações somaram US$ 1,2 bilhão. No acumulado entre janeiro e abril, as vendas externas alcançaram US$ 1,1 bilhão, crescimento de 1% na comparação anual. 

“Foi um mês bastante positivo para as exportações, trazendo um respiro para a região. Mesmo com oscilações no cenário internacional, observamos uma recuperação puxada principalmente pela diversificação de mercados e pela capacidade de adaptação da indústria regional”, explicou Valmir Caldana, vice-diretor do Ciesp Campinas.

Com relação aos setores que mais exportaram, constam no levantamento, máquinas e equipamentos (13%), produtos farmacêuticos (9%) e borracha e suas obras (7,45%). Já os setores que mais importaram estão, produtos químicos e orgânicos (26,9%), máquinas, aparelhos e material elétrico (24,65%) e produtos diversos da indústria química (12,6%).

Entre as cidades, Campinas lidera as exportações no acumulado do quadrimestre, concentrando 35% do total embarcado, seguida por Paulínia (17%) e Sumaré (10%). Já nas importações, Paulínia ocupa a primeira posição, respondendo por 35% do volume regional, seguida por Campinas (28%) e Hortolândia (9%).

De acordo com Valmir, o perfil econômico regional explica o resultado negativo da balança comercial, que fechou o período com déficit de US$3,1 bilhões. “Diferentemente do cenário nacional, fortemente impulsionado pelo agronegócio, Campinas é uma região de alta tecnologia e indústria intensiva. Importamos peças, componentes eletrônicos, insumos químicos e máquinas que abastecem o próprio parque produtivo regional”, destacou. 

Os Estados Unidos permanecem como principal destino das exportações da região, representando 18% dos embarques, seguidos por Argentina (12%) e México (5,6%), que ultrapassou a Índia entre os principais parceiros comerciais. 

Apesar da liderança americana, Valmir observou que os efeitos das políticas tarifárias internacionais seguem exigindo atenção do setor produtivo. “A região está fortemente integrada às cadeias globais de produção e comércio. As empresas vêm buscando novos parceiros e mercados para reduzir impactos externos. O industrial brasileiro é resiliente e busca alternativas diante das mudanças econômicas”, afirmou.  

Para os próximos meses, a avaliação do Ciesp é de cautela. Questões geopolíticas, custos logísticos, variação cambial e impactos internacionais permanecem como fatores de atenção para a indústria regional. “Campinas mantém sua importância no mercado global, mas exige atenção constante dos industriais, especialmente diante das incertezas internacionais e dos custos envolvidos nas cadeias de suprimento”, concluiu Valmir. 

Apagão

 

Valmir Caldana (segundo vice-diretor) e José Toledo Corrêa (diretor) do Ciesp-Campinas (Foto: Divulgação)

O diretor do Ciesp-Campinas, José Henrique Toledo Corrêa, afirmou que entre as maiores preocupações estão ‘o apagão de mão de obra qualificada’, apontado por 31% das empresas associadas ouvidas na última sondagem do Ciesp, além disso, também consta a ‘incerteza fiscal e Reforma Tributária’, igualmente para 31% das empresas. O item sobre ‘custo do capital’ e as ‘taxas de juros elevadas’ foi apontado como preocupação, para 23% das empresas e 15% delas indicaram ‘pressões inflacionárias e menores margens de lucro’. O item ‘necessidade de adaptação tecnológica Inteligência Artificial e Automação’ não foi apontado por nenhuma empresa respondente. 

 Em relação aos indicadores da Sondagem Industrial, volume de produção, faturamento e nível de mão de obra, o diretor José Henrique afirmou que eles se mantêm nos patamares dos meses anteriores. No entanto, manifestou especialmente preocupação com os dados apontados, como a falta de mão de obra qualificada, o custo do capital e as taxas de juros elevadas, além da incerteza fiscal gerada pela Reforma Tributária. “Esses dados levantados na pesquisa, nos indicam incertezas para os próximos meses”, acrescentou.

No campo tributário, Valmir ressaltou que a reforma ainda gera insegurança devido à ausência de definições importantes para a entrada em vigor das novas regras. “Ainda existem dúvidas sobre alíquotas, regulamentações e interpretações legais. O que deveria representar simplificação pode acabar criando novas complexidades burocraticas”, afirmou. Ele explicou que a reforma estabelece novos tributos, como a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), mas observou que a regulamentação ainda apresenta pontos considerados insuficientes pelos especialistas. “Até que estejam claras, as novas regras ainda podem gerar insegurança para o setor”. 

(Com informações do Jornal de Paulínia e de Bruno Luporini/RAC )

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