Atualmente, a fábrica pertence à gigante norueguesa Yara Fertilizantes. A operação representa a primeira incursão do grupo paulista fora do setor de embalagens plásticas.
Entrada no mercado de ácido sulfúrico
A aquisição será formalizada pela Gofrit Fertilizantes, empresa constituída especificamente para a operação. Criada dentro da estrutura do Zaraplast, a companhia ainda não possui atividade operacional própria.
O contrato de compra e venda de ativos foi assinado em 16 de julho. As tratativas correm sob sigilo, com valores da transação não divulgados pelas partes envolvidas.
O ativo negociado reúne duas matrículas registradas em Paulínia, ocupando mais de 340 mil metros quadrados. A planta possui duas linhas de produção de ácido sulfúrico, ambas fora de operação, atualmente.
A planta integra o pacote de hibernação anunciado pela Yara em fevereiro de 2025. Naquele momento, a multinacional interrompeu a produção de fosfatados e ácido sulfúrico em Cubatão e Paulínia.
A companhia decidiu concentrar sua operação no Brasil na fabricação de fertilizantes nitrogenados. Frentes como soluções de baixo carbono e neutralidade climática também entraram no argumento da hibernação.
Sob o novo controle, a retomada de uma das linhas está prevista para ocorrer até o fechamento do negócio. A capacidade a ser reativada gira em torno de 218 mil toneladas anuais, hoje ociosa.
Fora do setor de embalagens
Fundada em 1967, a Zaraplast se consolidou como uma das maiores fabricantes de embalagens flexíveis do país. A companhia atende setores como alimentos, higiene, agronegócio e petroquímica.
O grupo também mantém frentes fora da manufatura, com participações em incorporação imobiliária, locação e holdings familiares. A compra do ativo químico soma-se a esse histórico de diversificação.
A entrada no segmento amplia a atuação do conglomerado para além das embalagens, setor que já atende fabricantes de fertilizantes. O ácido sulfúrico funciona como insumo intermediário nessa cadeia.
Para o grupo, a operação abre uma frente inédita de receita, dissociada do ciclo de demanda por embalagens industriais. Já para a Yara, a venda libera capital de um ativo que estava parado.
Mercado concentrado
O ácido sulfúrico é matéria prima intermediária na cadeia de fertilizantes fosfatados, como o superfosfato simples. Também é usado na produção de baterias e no refino de petróleo.
O mercado brasileiro do insumo é predominantemente abastecido por produtores locais, como a própria Yara, Mosaic, CMOC, AngloGold e Elekeiroz. Uma fatia menor da demanda depende de importações.
A planta de Paulínia responde por participação reduzida na produção nacional, padrão comum entre ativos hibernados do setor. Para o Zaraplast, o negócio marca a estreia em uma cadeia industrial distinta.
O ativo chega, porém, com base já instalada e contratos de fornecimento herdados da operação anterior. A expectativa é manter o abastecimento a clientes que já compravam o insumo antes da paralisação.