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Quarta-feira, 02 de Setembro de 2026

Notícias/Economia

ANTT dá mais 180 dias para acordo que pode levar combustível de trem de Paulínia a MT

Possibilidade de criar um novo fluxo logístico para abastecimento de Mato Grosso

ANTT dá mais 180 dias para acordo que pode levar combustível de trem de Paulínia a MT
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A possibilidade de transportar combustíveis por ferrovia entre São Paulo e Mato Grosso ganhou mais prazo para avançar. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) prorrogou por 180 dias a autorização para que a Vibra Energia negocie com a Rumo Malha Norte um contrato de transporte ferroviário entre Paulínia e Rondonópolis.

A empresa já estava habilitada pela agência para negociar o serviço com a concessionária, mas o prazo anterior terminou sem que o contrato fosse concluído. Com a nova decisão, publicada no Diário Oficial da União, a distribuidora terá mais seis meses para tentar fechar um acordo com a Rumo e viabilizar o transporte de combustíveis pelos trilhos.

A negociação considera o fluxo com origem em Paulínia e destino a Rondonópolis. O trecho ferroviário analisado pela ANTT vai de Paulínia até Alto Taquari, no sudeste de Mato Grosso. A autorização também contempla uma operação entre Paulínia e Rio Verde, em Goiás.

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O processo ocorre pelo mecanismo de “usuário dependente”, previsto nas regras do transporte ferroviário de cargas. Esse instrumento pode ser utilizado por empresas que consideram determinado serviço ferroviário indispensável à viabilidade do próprio negócio. Para isso, a companhia apresenta à ANTT uma declaração de dependência e informa os fluxos que pretende contratar.

A habilitação não representa a assinatura do contrato, mas permite que a Vibra negocie diretamente com a concessionária as condições para utilização da ferrovia. Caso as partes cheguem a um acordo, a concessionária deverá encaminhar uma cópia do contrato à ANTT em até 30 dias.

O acordo também deverá prever cláusula de “take or pay”, mecanismo pelo qual o contratante se compromete a pagar pelo volume acordado mesmo que não utilize integralmente a capacidade contratada. A exigência faz parte das condições previstas para esse tipo de negociação ferroviária.

Se o contrato for fechado, a operação poderá ampliar o uso da Malha Norte no sentido contrário ao fluxo mais conhecido em Mato Grosso. Atualmente, a ferrovia é amplamente utilizada para escoar grãos produzidos no estado em direção ao Porto de Santos. Na operação estudada pela Vibra, os trilhos também seriam usados para trazer combustível de São Paulo até Mato Grosso.

Rondonópolis ocupa posição central nesse sistema logístico por funcionar como terminal da Malha Norte. A cidade é um dos principais pontos da estrutura ferroviária mato-grossense e está ligada ao corredor que conecta a produção estadual ao porto paulista.

A possível entrada de combustíveis pela ferrovia também ocorre em um momento de expansão da malha em Mato Grosso. A Rumo está implantando cerca de 740 quilômetros de novos trilhos para prolongar a ferrovia de Rondonópolis até Lucas do Rio Verde, com um ramal em direção a Cuiabá.

A primeira etapa desse projeto tem 162 quilômetros entre a região de Rondonópolis e o terminal da BR-070. A previsão divulgada pela companhia é iniciar as primeiras operações comerciais desse trecho em 2026.

A nova autorização concedida à Vibra foi formalizada pela Superintendência de Transporte Ferroviário da ANTT. O prazo adicional passa a valer a partir da publicação da decisão e mantém aberta a possibilidade de um novo fluxo logístico para abastecimento de Mato Grosso.

O transporte de combustíveis por trem em Paulínia é realizado através da conexão ferroviária com o Centro-Oeste, que permite o escoamento do etanol de milho e o envio de derivados para o agronegócio. A nova estrutura, inaugurada em junho de 2025, tem capacidade para movimentar até 160 vagões por dia e conecta o terminal de Paulínia a Rondonópolis, criando um corredor logístico que facilita o transporte de combustíveis entre São Paulo e Mato Grosso.

Essa infraestrutura não apenas melhora a eficiência operacional, mas também contribui para a sustentabilidade ambiental, reduzindo emissões de CO₂ e custos logísticos.

FONTE/CRÉDITOS: Estadão Mato Grosso e Rumo

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