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Quarta-feira, 02 de Setembro de 2026

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Como Paulínia virou a cidade que mais cresceu na região de Campinas

Município passou de 62,1 mil para 117,5 mil habitantes entre 2006 e 2026, alta de 89,2%

Como Paulínia virou a cidade que mais cresceu na região de Campinas
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Lagoa do João Aranha, em Paulínia (SP) — Foto: Prefeitura de Paulínia

Lagoa do João Aranha, em Paulínia (SP) — Foto: Prefeitura de Paulínia

A crescimento habitacional de Paulínia foi significativo, passando de 62.132 para 117.554 habitantes entre 2006 e 2026, representando um aumento de 89,2%. Esse crescimento foi impulsionado pela expansão imobiliária, a melhoria dos serviços e a facilidade de deslocamento, especialmente após a construção de novos condomínios e empreendimentos na região de Betel. Além disso, a cidade enfrenta um déficit habitacional estimado em 3.640 moradias, o que representa um desafio para a população de baixa renda.

O "boom" dos condomínios, a transformação das cidades com a expansão dos serviços e a integração regional pelas rodovias fizeram de Paulínia a cidade com o maior crescimento proporcional da região de Campinas nos últimos 20 anos.

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O crescimento significa aumento de 55.422 moradores no período, com Paulínia praticamente dobrando de tamanho.

O percentual supera o de outros municípios que também apresentaram forte expansão populacional, como Louveira (87,2%), Holambra (85,6%) e Jaguariúna (80,5%).

E contrasta com os de Campinas. A metrópole saiu de 1,05 milhão para 1,18 milhão de habitantes no mesmo intervalo, crescimento de 12,3% - veja números abaixo.

Para o professor do Departamento de Demografia da Unicamp, Ednelson Mariano Dota, o avanço de Paulínia reflete um movimento já esperado de expansão urbana para municípios vizinhos da cidade-sede.

"O município-sede, por se tornar mais valorizado, tende a receber menos pessoas, e o crescimento da região vai se dando nos municípios do entorno, que têm ainda custo de terra mais baixo e custo de aluguel mais baixo", explica.

Segundo o pesquisador, o caso de Paulínia é um dos exemplos mais evidentes desse processo na Região Metropolitana de Campinas (RMC).

Ele destaca que o crescimento foi impulsionado principalmente pela expansão imobiliária observada na região de Betel a partir dos anos 2000.

"Especificamente o caso de Paulínia, o crescimento foi muito evidente, principalmente nessa região de Betel. Depois de 2010, esse crescimento ainda foi se expandindo, e surgiram muitos condomínios para além da região", afirma.

Eixos separados pela Anhanguera

Ao analisar o crescimento populacional da região, Dota explica que ele não ocorre de forma homogênea.

A Rodovia Anhanguera (SP-330), por exemplo, funciona como um divisor de dois grandes vetores de expansão urbana.

No eixo Norte, que abrange metade de Campinas e cidades como Paulínia, Valinhos e Vinhedo,  predominam empreendimentos voltados a moradores de renda mais alta.

Já no eixo Sul, com outra parte de Campinas, Hortolândia, Monte Mor e parte de Sumaré, o crescimento é associado a uma população de menor renda média.

O pesquisador, no entanto, destaca que nos dois eixos as cidades estão se tornando mais complexas e concentrando cada vez mais serviços e oportunidades.

"O comércio mais básico e até os serviços intermediários já estão presentes nesses municípios", afirma.

Imagem aérea de Campinas na região da Torre do Castelo — Foto: Reprodução/EPTV

Imagem aérea de Campinas na região da Torre do Castelo — Foto: Reprodução/EPTV

Morar em Paulínia e trabalhar em Campinas

A proximidade com Campinas e a facilidade de deslocamento também ajudam a explicar por que Paulínia continua atraindo moradores.

Segundo Dota, a integração econômica e viária da região permite que muitas pessoas residam em uma cidade e trabalhem em outra sem grandes dificuldades. "Você não precisa morar em Campinas para trabalhar em Campinas", resume.

Na avaliação do especialista, a dinâmica regional mudou nas últimas décadas.

Se antes os municípios vizinhos funcionavam principalmente como cidades-dormitório, hoje eles concentram uma quantidade cada vez maior de comércios, serviços e oportunidades.

"Hoje a gente tem cidades muito mais complexas. O comércio mais básico e até os serviços intermediários já estão presentes nesses municípios", diz.

Condomínios e rodovias

Outro fator apontado pelo professor é a expansão de condomínios fechados próximos às principais rodovias da região.

Segundo ele, muitos desses empreendimentos foram planejados justamente para atender moradores que trabalham em Campinas ou em outros polos econômicos da região.

"Esses condomínios geralmente estão localizados na beira das rodovias ou em locais de fácil acesso, o que facilita muito o deslocamento diário", afirma.

Além de atrair novos moradores, esse modelo de crescimento estimula a abertura de escolas, serviços de saúde, comércio e outras atividades econômicas, tornando os municípios cada vez mais autônomos.

Foto de arquivo da Rodovia D. Pedro I (SP-065) — Foto: Reprodução/EPTV

Foto de arquivo da Rodovia D. Pedro I (SP-065) — Foto: Reprodução/EPTV

Tendência deve continuar

Embora o Brasil caminhe para um cenário de desaceleração do crescimento populacional e envelhecimento da população, Dota avalia que municípios fortemente integrados à Região Metropolitana de Campinas devem continuar registrando expansão acima da média nos próximos anos.

"A tendência de redução da demanda existe, sem dúvida. Mas os municípios mais integrados a Campinas, que foram os que mais cresceram nas últimas décadas, continuam apresentando uma perspectiva de crescimento maior do que outras áreas menos conectadas à dinâmica metropolitana", afirma.

Região com 3,5 milhão de habitantes

Segundo as estimativas populacionais de 2026 do IBGE, as 31 cidades da área de cobertura do g1 Campinas somam 3.516.286 habitantes, crescimento de 22,1% desde 2006.

Há 20 anos a soma dos moradores desses municípios indicava uma população de 2.880.275 habitantes.

Em números absolutos, Campinas é quem ganhou mais pessoas (130,3 mil), seguida por Indaiatuba (90,1 mil).

No outro extremo

Enquanto Paulínia liderou o crescimento populacional percentualmente, três municípios da região apresentaram redução no número de habitantes no intervalo de 20 anos.

Espíríto Santo do Pinhal SP) tinha 42.921 habitantes em 2006, e segundo a estimativa populacional de 2026, possui atualmente 40.547 moradores, uma redução de 5,5%.

Com 18.277 habitantes atualmente, Águas de Lindóia tinha 19.240 moradoras em 2006, o que representa uma queda de 5%.

Já Santo Antônio do Jardim saiu de 6.499 para 6.248 habitantes em 20 anos, queda de 3,9%.

Veja os dados:

População das cidades da região de Campinas

Município 2006 2026 Crescimento (%)
Paulínia 62.132 117.554 89,2%
Louveira 29.553 55.314 87,2%
Holambra 8.352 15.832 85,6%
Jaguariúna 34.779 62.764 80,5%
Indaiatuba 181.124 271.322 49,8%
Monte Mor 46.047 68.311 48,4%
Valinhos 94.124 132.862 41,2%
Vinhedo 57.269 79.477 38,8%
Monte Alegre do Sul 6.973 8.967 28,6%
Morungaba 11.168 14.206 27,2%
Tuiuti 5.593 7.002 25,2%
Hortolândia 201.795 250.195 24,0%
Artur Nogueira 43.344 53.686 23,9%
Sumaré 237.900 292.307 22,9%
Serra Negra 25.438 31.155 22,5%
Pinhalzinho 12.873 15.740 22,3%
Americana 203.845 248.392 21,9%
Socorro 34.139 41.633 21,9%
Santo Antônio de Posse 20.989 23.945 14,1%
Lindóia 6.300 7.167 13,8%
Pedra Bela 5.954 6.768 13,7%
Mogi Guaçu 141.559 160.841 13,6%
Campinas 1.059.420 1.189.761 12,3%
Estiva Gerbi 10.469 11.647 11,3%
Pedreira 40.575 44.433 9,5%
Itapira 68.396 74.145 8,4%
Amparo 67.505 69.859 3,5%
Mogi Mirim 93.820 95.929 2,2%
Santo Antônio do Jardim 6.499 6.248 -3,9%
Águas de Lindóia 19.240 18.277 -5,0%
Espírito Santo do Pinhal 42.921 40.547 -5,5%

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