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Quinta-feira, 07 de Maio de 2026

Notícias/Economia

Região de Campinas bate recorde com 1,295 milhão de devedores em março

Programa lançado pelo governo federal é alternativa para quitar contas atrasadas

Região de Campinas bate recorde com 1,295 milhão de devedores em março
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Sérgio José dos Santos afirma que renegociação das contas atrasadas pode ser a solução: “Eu vou dar uma boa olhada e pode ser o que estou procurando”; programa prevê descontos entre 30% e 90% para as dívidas, com juros de até 1,99% ao mês e prazo de pagamento de até 48 meses (Rodrigo Zanotto)

Sérgio José dos Santos afirma que renegociação das contas atrasadas pode ser a solução: “Eu vou dar uma boa olhada e pode ser o que estou procurando”; programa prevê descontos entre 30% e 90% para as dívidas, com juros de até 1,99% ao mês e prazo de pagamento de até 48 meses ( Foto: Rodrigo Zanotto)

Após uma trégua com estabilidade em fevereiro, o número de inadimplentes cresceu 2,86% em março, com as pessoas nessa situação vendo no Novo Desenrola Brasil, lançado pelo governo federal, uma alternativa para quitar as contas atrasadas. A Região Metropolitana de Campinas (RMC) bateu recorde de devedores, chegando a 1,295 milhão, contra 1,259 milhão de fevereiro, quando houve uma ligeira queda de 0,2%, apontou a nova pesquisa divulgada pela Serasa. O montante da dívida também foi recorde, com alta de 2,81%, atingindo o valor de R$ 10,6 bilhões, contra R$ 10,31 do mês anterior.

Sérgio José dos Santos faz parte dessa estatística e acredita que o programa de renegociação das contas atrasadas pode ser a solução para sair da lista de devedores da empresa de análise de crédito. “Eu vou dar uma boa olhada e pode ser a solução que estava procurando”, disse. Até a semana passada, ele tinha um comércio no Jardim Campo Belo, em Campinas, que fechou por causa da queda no movimento. Mas ontem já ia entregar os documentos para ser contratado como ajudante geral em uma empresa em Indaiatuba. “Vou voltar à CLT para ver se as coisas melhoram”, afirmou o excomerciante.

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Sérgio Santos acumula várias contas em atraso, inclusive básicas, como água, luz, celular, mas a principal dívida é com cartão de crédito, um dos principais alvos do Desenrola 2.0. O programa prevê descontos entre 30% e 90% para as dívidas, com juros de até 1,99% ao mês e prazo de pagamento de até 48 meses. Podem participar pessoas com renda de até 5 salários mínimos (R$ 8.105), podendo ser renegociadas as dívidas contratadas até 31 de janeiro deste ano, com atraso entre 90 dias e dois anos, nas modalidades cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado.

RISCOS

Essas três modalidades de crédito representam quase a metade das contas em atraso cadastradas na Serasa. Bancos, cartões e financeiras somam 47,5% do total, vindo depois as utilities (como água, eletricidade e gás), com participação de 21%, e serviços – 11,5%. Especialistas avaliam que o Novo Desenrola pode ajudar os inadimplentes a sair dessa situação e voltar a consumir ao ter o nome limpo imediatamente, mas apontam que essa renegociação é um alívio momentâneo, traz riscos para o futuro e defendem a educação financeira como o melhor caminho para evitar as dívidas. “As pessoas imaginam que ganham tanto, mas não consideram os descontos e, principalmente, fazem compras parceladas no cartão de crédito. Mas R$ 20 aqui, mais R$ 30 ali, mais R$ 50 lá, viram R$ 500, R$ 600 ou até mais no mês e acaba tendo descontrole”, alertou o economista e gerente financeiro da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), Mário Campos.

“As pessoas têm que aprender a não gastar mais do que ganham e a ter uma reserva para os gastos extras, como para um eletrodoméstico que quebra, uma doença, remédios, o conserto do carro”, completou. Ele avaliou que o Desenrola pode ajudar a aumentar as vendas do comércio com os devedores, deixando de ter o nome negativado, mas alertou que isso deve ser visto com muito cuidado. “Lógico que, uma vez que você se torna adimplente ao ter o nome limpo, como popularmente se fala, pode voltar a comprar, consumir, e isso é bom para o comércio. Mas você precisa tomar muito cuidado para não se endividar novamente. Se não, daqui a pouco vai ter o Desenrola 3”, disse Mário Campos.

Para a presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Campinas e Região (Sindi Varejista), Sanae Murayma Saito, a educação financeira deveria fazer parte do currículo escolar desde o ensino fundamental e os pais deveriam conversar com os filhos sobre o orçamento familiar. Ela lembrou que muitos dos atuais inadimplentes já passaram por essa situação no passado.

SEGUIU EM ALTA

Desde o final da primeira edição do Desenrola Brasil, em março de 2024, a RMC ganhou 169 mil novos inadimplentes, número equivalente à soma das populações de Valinhos e Pedreira. Naquela época, eram 1,126 milhão de devedores cadastrados na Serasa. A estimativa do Ministério da Fazenda com o novo programa é atingir 20 milhões de pessoas no país. Porém, a presidente do SindiVarejista alertou para o risco dessa iniciativa trazer outros problemas para o futuro ao permitir que o devedor use 20% do saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) ou até R$ 1 mil, o que for maior, para pagar as dívidas. “O Fundo de Garantia é uma caderneta de poupança para o futuro. Usar esse recurso agora vai sanar uma situação momentaneamente, mas é muito preocupante quando a gente pensa no futuro do trabalhador. Dilapidar esse patrimônio hoje pode trazer consequências na frente”, avaliou Sanae Saito.

A professora aposentada Maria Neide Cascalhes admitiu usar o cartão de crédito para despesas extras que surgem, mas faz isso de forma controlada e não deixa acumular as dívidas. “Eu sou uma boa pagadora e gasto só em caso de necessidade. Se deixar embolar, vira uma bola de neve e você perde o controle”, explicou. O cartão de crédito tem o maior juro do país, com a taxa para quem atrasa ou paga no rotativo chegando a 1.036,03% ao ano, de acordo com a pesquisa do Banco Central. (Edimarcio A. Monteiro/RAC)

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