A febre do álbum da Copa do Mundo já tomou conta das bancas de Campinas, mas um levantamento sobre o custo necessário para completá-lo, feito pelo matemático Isaías Machado, impressiona pelos alto valor. De acordo com ele, para preencher as 980 figurinhas desta edição, a maior já lançada por conta da expansão do número de seleções no torneio para 48, pode chegar a R$ 7.301.
O cálculo foi feito considerando que um colecionador precisaria abir 1.043 envelopes, com sete figurinhas cada, para completar o álbum em virtude das imagens repetidas. Cada pacote custa R$ 7. “Quanto mais avança a coleção, mais difícil fica não encontrar uma que ainda não tenha saído”, explicou Machado. Considerando o cenário perfeito para um aficionado de apenas encontrar cromos novos, o valor mínimo ficaria em R$ 1050, considerando 14 figurinhas vendidas exclusivamente em conjunto com a garrafa de uma marca de refrigerantes patrocinadora do torneio e do álbum.
As outras são comercializadas em envelopes com sete figurinhas em cada, trazendo as imagens dos atletas, escudos oficiais, uniformes atualizados, técnicos, destaques e 68 cromos especiais. Isso com o interessado comprando um kit oficial com 12 envelopes e o álbum saindo grátis. Caso contrário, pagará mais R$ 24,90 apenas pela versão mais simples do álbum, no formato de brochura, que começou a ser vendido na última quinta-feira (30).
No próximo dia 15, chegará ao mercado a versão com capa dura, pelo preço R$ 79,90, nas versões com a estampa oficial deste ano, prateada ou dourada. Há ainda uma edição premium de R$ 359,90, incluindo a versão capa dura, 40 envelopes de figurinha e um box para guardar a coleção.
“Essa vai ser a melhor Copa de todas”, previu o proprietário de uma banca de jornal no Swif, Antonio Ávila dos Santos. Em cinco dias, ele comercializou 200 kits e 60 álbuns avulsos. Um dos clientes foi o aposentado Rodrigo Oteiro Bratfisch, que gastou R$ 156 na compra de figurinhas, um box para guardá-las e dois chaveiros com réplicas da taça da Copa do México, Estados Unidos e Canadá. “Vou fazer o álbum com meu filho de 15 anos”, explicou. A fotógrafa Karen Fontes comprou ontem o kit por R$ 84 para iniciar a coleção, mas não pretende gastar o mínimo necessário para completá-la.
PERMUTA
“As figurinhas repetidas vou trocá-las”, explicou. Ela vai recorrer aos tradicionais encontros frequentados pelos colecionadores para fazer as trocas, que acabam se tornando uma diversão para adultos e crianças. Vale se reunir em escolas, no trabalho, praças, ao lado de bancas de jornais, centros comerciais e outros locais. O primeiro encontro já ocorreu no último sábado, dois dias após o início da venda dos álbuns e figurinhas, ao lado de uma tradicional banca no Centro de Campinas. “Eu pretendia começar no dia 9, mas já no dia 2 os clientes já se reuniram e começaram as trocas”, disse o proprietário do local, Denilson Falsarella.
Nicolas Pinheiro não trabalhava em 2022 e não chegou a completar o álbum da Copa do Catar, mas pretende mudar isso este ano. “Antes dependia do dinheiro do meu pai e da minhã mãe. Agora, quero completar”, disse. Ele trabalha em uma banca no Largo do Rosário do Centro e já montou a estratégia. “Vou esperar baixar a poeira abaixar dessa grande procura que está tendo para começar a fazer a minha coleção”, explicou.
A editora do álbum está imprimindo cerca de 11 milhões de figurinhas por dia em sua gráfica em Barueri, cidade de Região Metropolitana de São Paulo. A média é de 127 por segundo, com o material sendo distribuído para todo o Brasil e também para países da América Latina. Entre as 68 figurinhas especiais com acabamento metalizado estão escudos, símbolo do torneio, troféu, estádios e bola oficial. A editoria estima vender 140 milhões de figurinhas, um negócio milionário de R$ 140 milhões, sem contar o álbum, edição especial e patrocínio.
PREÇO AUMENTOU
O álbum mais simples da Copa do Mundo chegou ao mercado vendido a R$ 24,90, com um aumento real de 70,90% em comparação com 2022, considerando apenas o valor, sem levar em contar o aumento no número de páginas e outros custo de produção. A brochura foi vendida por R$ 12 reais na Copa do Catar, valor que atualizado sairia por R$ 14,57, considerando os 21,40% de inflação acumulada entre março daquele ano e o mês passado, de acordo com o Índice de Preço de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Já as figurinhas continuam a ser vendida a R$ 1 cada, com a diferença no preço ficando por conta do aumento no número disponível por embalagem, Antes, eram cinco, e agora são sete, com o pacotinho saindo por R$ 7. O novo álbum 112 páginas, inclui 18 jogadores de cada seleção Estão de fora desta edição os atacantes Neymar, dos Santos, e Endrick, do Lyon, até agora não confirmados pelo técnico da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti, a 37 dias do início da Copa. A convocação oficial será no próximo dia 18.
Porém, dois jogadores brasileiros incluídos no álbum e já estão fora da torneio. São Rodrygo e Éder Militão, ambos por lesão. Há ainda Estêvão, que corre para se recuperar a tempo de disputar o torneio. Estrelas de outras seleções também estão fora da Copa, como Gnabry (Alemanha), Foyth e Panichelli (ambos da Argentina), Gvardiol (Croácia), Samu Omorodion (Espanha) e Ekitike (França). (Edimarcio Augusto Monteiro/RAC)