A Petrobras encerrou o primeiro trimestre com lucro líquido de R$ 32,7 bilhões, um aumento de 110% em relação ao trimestre do ano passado. A informação foi divulgada pela companhia nesta semana em que outras petroleiras pelo mundo se mostraram preocupadas com o reflexo da produção e abastecimento de petróleo com os reflexos da guerra entre Estados Unidos e Irã.
Parte do resultado incorpora os efeitos da alta internacional do petróleo, da expansão da produção no pré-sal e do recorde de volume produzido em algumas refinarias do país, incluindo a maior delas, a Replan, em Paulínia , cuja produção de diesel cresceu 24,7% em março.
Segundo a Petrobras, a valorização de 27% nos preços internacionais do petróleo Brent, impulsionada pelas instabilidades causadas pela guerra no Oriente Médio, somou-se à apreciação do real frente ao dólar para contribuir com o crescimento dos lucros em relação ao final de 2025.
A companhia também ampliou sua produção própria em 16% na comparação anual, com maior produtividade do pré-sal e expansão das vendas de produtos derivados do petróleo.
O diesel S-10, combustível utilizado em larga escala no setor de logística rodoviária e no agronegócio, teve sua produção especialmente ampliada no começo do ano, em uma estratégia para reduzir a dependência de importações energéticas.
Em 2025, a Petrobras já havia anunciado planos para ampliar sua capacidade produtiva em até 120 mil barris diários nas principais refinarias: Abreu e Lima, Revap e Replan.
Naquele mesmo ano, a empresa atingiu níveis históricos de produção, próximos de três milhões de barris diários, com a entrada em operação de novas plataformas offshore e as descobertas de campos na Bacia de Santos.
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Este ano, a Petrobras também assinou um acordo para a aquisição de um novo ativo internacional: o Bloco 3 offshore em São Tomé e Príncipe, uma das regiões mais promissoras e subexploradas do mundo em termos de hidrocarbonetos, no Golfo da Guiné. A compra prevê participação de 75% nos empreendimentos.
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No primeiro trimestre, os investimentos da companhia, cujo EBITDA ajustado foi de R$ 59,6 bilhões (indicador financeiro que representa o lucro da empresa antes de juros, impostos, depreciação e amortização), somaram R$ 26,8 bilhões, também 25,6% maiores em relação ao mesmo período de 2025.
Segundo o Plano de Negócios 2026-2030, aprovado pela Petrobras no final do ano passado, os investimentos projetados para os próximos cinco anos giram em torno de US$ 109 bilhões, com cerca de US$ 69 bilhões destinados apenas à exploração e produção, e 62% do total direcionado às bacias do pré-sal.
Os projetos foram pensados para permanecer rentáveis mesmo em cenários de petróleo mais barato, diz a Petrobras, que também investe em projetos de transição energética, com aumento da produção de biocombustíveis e combustíveis sustentáveis de aviação (SAF).
Segundo dados da StoneX, o consumo de biodiesel deve crescer 7,2% no Brasil em 2026.
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A empresa informou ter transferido R$ 72,4 bilhões em forma de tributos, royalties e valores pagos à União, distribuídos entre estados e municípios. O valor representa cerca de 7% de toda a arrecadação nacional e ajuda a financiar os gastos públicos.
O debate sobre uma nova forma de distribuição do orçamento dos royalties do petróleo chegou ao STF na primeira semana do mês, no julgamento acerca da Lei 12.734/2012, suspensa ainda em 2013, que reorganiza as proporções dos pagamentos feitos aos estados, aos municípios produtores e afetados e ao fundo especial.